Greca acertou em adiar a Oficina de Música?

O prefeito eleito de Curitiba, Rafael Greca, chegou causando: antes mesmo de tomar posse anunciou que adiará a 35ª edição da Oficina de Música, evento bastante tradicional e importante para a cidade, que atrai visitantes de fora do Brasil.
Sempre me orgulhei deste evento, penso que é fundamental para Curitiba a Oficina de Música e o Festival de Teatro, muito mais do que o carnaval, evento no qual não temos a menor tradição e vocação.
Vale ressaltar que, no caso da Oficina de Música, trata-se de um evento realmente cultural e não um “pão e circo” popularesco. É a forma de, uma vez ao ano, se pensar em música de verdade, de se pensar em arte.

O caso é que o país está em crise, Brasília extorqui os estados e municípios e Curitiba passa por dificuldades financeiras. Diante deste cenário e do fato de que, até então, Greca disse não ter recebido informações econômicas e financeiras, nem a provisão orçamentária da Comissão de Transição, optou por adiar o evento e realocar os 1,7 milhões para a saúde.
A decisão tem tido grande apoio popular, que não vê benefícios em investir na Cultura quando a saúde, que é o básico, beira o caos.

Compreensível. Visitei neste ano a UPA do Sítio Cercado. Sofrível. Lâmpadas queimadas, falta de remédios, equipamentos com avarias e funcionários com problemas para receber horas extras. A porta de vidro da entrada estava sem vidro fazia vários meses – que fora quebrado por um paciente num acesso de fúria – e os doentes sofriam com o frio intenso do inverno curitibano.
Como chegamos à este ponto? Sobretudo onde se arrecada uma quantidade simplesmente monstruosa de impostos como é o Brasil.

A verba municipal para a saúde em 2016 foi de quase 1,6 bilhão de reais. O custo da oficina de música é de 1,7 milhão. É irrisória se comparada à verba da saúde. O que será feito com esse dinheiro? Dá e sobra para fazer com que pessoas doentes não passem frio nessas upas, o que é o mínimo. Mas como não fizeram antes? Que buraco negro é esse para qual vai o dinheiro dos nossos (muitos) impostos?

Mas voltado a falar de cultura: ela é fundamental, ela é educação, ela é a base para a formação de uma sociedade civilizada. A Oficina de Música de Curitiba é uma luz no fim do túnel do país do “pancadão”, acometido por um círculo vicioso onde a baixaria/lixo cultural reflete e fomenta o subdesenvolvimento.
Investir num festival como esse é, precisamente, investir em educação, e é uma pena que isso dependa tanto do Estado.

Estou certo de que Curitiba não ficará sem sua oficina de música este ano. Seria muito mais lógico vetar o carnaval, que não atrai ninguém para a cidade (o carnaval eletrônico então, é um desastre). Estou certo de que tal medida daria muito boa mídia e teria apoio popular amplo.
Mas se é preciso adiar o evento para resolver uma questão emergencial, que tem a concordância da população, que o seja feito.
Curitiba precisa de saúde, mas precisa sim de cultura. Por sinal, o que mais faz falta no Brasil é Cultura e civilidade.
Podemos ter ambos.
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